A casa da minha mãe fica no alto de um morrinho. Para subir
pra cima de carro é sempre complicado porque a varanda é muito
estreita. É preciso medir bem para estacionar de forma que o carro
não bata nas carrancas que prendem as abas das janelas e as portas,
do lado do motorista, não arranhem nas colunas.
Eu tenho certeza absoluta que isso foi um cálculo mal feito do
pedreiro, juntamente com a falta de boa vontade dele na hora de fazer
o acabamento final das colunas (elas ficaram grandes demais).
Percebi este problema há anos atrás, mas já era tarde. Não
tive outra alternativa senão a de deixar tudo como estava. Bem que o
vereador da cidade (não me lembro bem o seu nome) me falou na época:
“É fato real que a construção dessa casa não foi bem planejada.
Agora, você e sua família (inclusive Marco Lucas que acabou de
entrar pra família) terão que conviver juntos com este problema.
Não dá mais pra recuar para trás porque a M... já foi feita.”
Me deu uma raiva...! Fiquei indignada... tanto com o pedreiro
quanto comigo porque não vi que a varanda ficou estreita e volto a
repetir: O vereador acima não tem nada a ver com isso. O problema
dele deve ser com as leis do município, não com a casa dos outros.
Pronto! Falei!Se eu não havia dito antes, digo agora!
Domingo passado tivemos uma prova do quanto uma varanda
estreita pode causar stresse. Ao amanhecer o dia, meu irmão chegou
com minhas sobrinhas e minha cunhada. Ele trazia um cardume de peixes
pra fazermos um almoço em família. O elo de ligação que une eu e
meu irmão já dura 49 anos.
Todos foram unânimes na decisão de como faríamos os peixes:
Fritá-los em uma fritadeira elétrica.
Agora imaginem a cena: uma varanda estreita, com um carro
estacionado nela, duas mesas com 4 cadeiras cada uma, duas crianças
(e todos sabem que fogo e crianças não combinam) e uma mesa de
ping pong.
Recua as mesas um pouco pra trás, divide a varanda (com uma
linha imaginária) em duas metades iguais: crianças, mesas e
cadeiras pra uma metade. Na outra: carro e fritadeira elétrica. Não
deu certo. De novo: carro, crianças e mesas de um lado; fritadeira e
mesa de pinhg pong na outra. Uma metade ficou apertada demais. As
crianças reclamaram. Queriam jogar ping pong. Põe então as mesas
na segunda metade da varanda, 4 cadeiras em cima de uma das mesas, as
crianças em cima do carro, uma mesa embaixo da de ping pong e a
fritadeira no chão. Que confusão! Gritei bem alto! Parem tudo:
“_Vou descer o carro pra baixo. Quando sair todo mundo, subo com
ele pra cima de novo." Desse jeito a varanda ganhou mais espaço, a
fritadeira foi pra cima da churrasqueira pra dar mais segurança, as
mesas voltaram para seu lugar de origem com suas cadeiras e as
meninas jogaram ping pong à vontade.
E assim foi nosso almoço em família.
Agora, quem estiver interessado, coloquei em anexo junto a este
texto (no verso do mesmo), uma carta de reclamação e pedindo
explicações sobre o intrometimento do vereador no tamanho da nossa
varanda.
Obs.: Minha cunhadinha Helena pode me desmentir se eu tiver
exagerado na nossa saga de domingo.
Agora, nos resta encarar de frente a questão do estreitamento
da varanda.

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