terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Texto "politicamente incorreto"


A casa da minha mãe fica no alto de um morrinho. Para subir pra cima de carro é sempre complicado porque a varanda é muito estreita. É preciso medir bem para estacionar de forma que o carro não bata nas carrancas que prendem as abas das janelas e as portas, do lado do motorista, não arranhem nas colunas.
Eu tenho certeza absoluta que isso foi um cálculo mal feito do pedreiro, juntamente com a falta de boa vontade dele na hora de fazer o acabamento final das colunas (elas ficaram grandes demais).
Percebi este problema há anos atrás, mas já era tarde. Não tive outra alternativa senão a de deixar tudo como estava. Bem que o vereador da cidade (não me lembro bem o seu nome) me falou na época: “É fato real que a construção dessa casa não foi bem planejada. Agora, você e sua família (inclusive Marco Lucas que acabou de entrar pra família) terão que conviver juntos com este problema. Não dá mais pra recuar para trás porque a M... já foi feita.”
Me deu uma raiva...! Fiquei indignada... tanto com o pedreiro quanto comigo porque não vi que a varanda ficou estreita e volto a repetir: O vereador acima não tem nada a ver com isso. O problema dele deve ser com as leis do município, não com a casa dos outros. Pronto! Falei!Se eu não havia dito antes, digo agora!
Domingo passado tivemos uma prova do quanto uma varanda estreita pode causar stresse. Ao amanhecer o dia, meu irmão chegou com minhas sobrinhas e minha cunhada. Ele trazia um cardume de peixes pra fazermos um almoço em família. O elo de ligação que une eu e meu irmão já dura 49 anos.
Todos foram unânimes na decisão de como faríamos os peixes: Fritá-los em uma fritadeira elétrica.
Agora imaginem a cena: uma varanda estreita, com um carro estacionado nela, duas mesas com 4 cadeiras cada uma, duas crianças (e todos sabem que fogo e crianças não combinam) e uma mesa de ping pong.

Recua as mesas um pouco pra trás, divide a varanda (com uma linha imaginária) em duas metades iguais: crianças, mesas e cadeiras pra uma metade. Na outra: carro e fritadeira elétrica. Não deu certo. De novo: carro, crianças e mesas de um lado; fritadeira e mesa de pinhg pong na outra. Uma metade ficou apertada demais. As crianças reclamaram. Queriam jogar ping pong. Põe então as mesas na segunda metade da varanda, 4 cadeiras em cima de uma das mesas, as crianças em cima do carro, uma mesa embaixo da de ping pong e a fritadeira no chão. Que confusão! Gritei bem alto! Parem tudo: “_Vou descer o carro pra baixo. Quando sair todo mundo, subo com ele pra cima de novo." Desse jeito a varanda ganhou mais espaço, a fritadeira foi pra cima da churrasqueira pra dar mais segurança, as mesas voltaram para seu lugar de origem com suas cadeiras e as meninas jogaram ping pong à vontade.
E assim foi nosso almoço em família.
Agora, quem estiver interessado, coloquei em anexo junto a este texto (no verso do mesmo), uma carta de reclamação e pedindo explicações sobre o intrometimento do vereador no tamanho da nossa varanda.

Obs.: Minha cunhadinha Helena pode me desmentir se eu tiver exagerado na nossa saga de domingo.

Agora, nos resta encarar de frente a questão do estreitamento da varanda.